Depoimentos:

Borderline

1) Sofri abuso sexual por parte do meu irmão mais velho.

Depoimento 1:

Hoje tenho 27 anos e entre os 7 e 8 anos, não me lembro minha idade direito fui vítima de abuso sexual pelo meu vizinho, avô de minha melhor amiga de infância.
Me afastei deles e de todos da casa que eu frequentava todos os dias. Ele pegou pela minha mão e me levou para uma plantação de cana que existia no quintal deles e me deitou.
Tudo foi muito rápido, só me lembro que doía muito e que ele pediu para eu tocar nele também, foi muito ruim, fiquei assustada, corri muito.

Não contei para ninguém, escondi, da minha vó que me criou, de minhas tias, de todos, sei lá, às vezes acho que tenho algumas atitudes que são reflexos dessa situação que eu vivi, tento não pensar muito nela.
Mas não dá, a ferida da alma é eterna. Fiz cura interior na Igreja que me ajudou demais.
Fiz terapia e depois de quase um ano consegui falar para minha Terapeuta isso, mas não contei tudo para ela.

Tenho muita vergonha, faz anos que não falava sobre isso, a última vez que eu contei foi no ano passado para uma pessoa que trabalha comigo. Nem sei como contei para ela. Esse homem morreu, minha mãe chegou toda triste no dia, filha você não acredita quem morreu, foi ciclano.

Foi uma mistura de dor, raiva, reprimida, sei lá, a família dele acho que nunca imaginou o que ocorreu com a gente, mas eu tenho essa marca em mim e foi difícil conviver com ela e aceitá-la, mas hoje tenho quase 30 anos, me preocupo demais com meus irmãos menores, amo meus poucos e fiéis amigos, tento conviver bem com as pessoas embora seja difícil compreender o ser humano.

Esse é um pedaço de mim, um segredo oculto, meus pais nem sonham com isso, acho que agora nem adianta contar. Pra que né? Que todos nós possamos encontrar nossa luz e agradeço a Deus por sempre estar comigo em cada instante de minha vida!


Depoimento 2:

Tenho 34 anos e sofro de transtorno dissociativo Borderline. Levei 20 anos da minha vida tentando descobrir o que eu tinha.
Esqueci parte da infância e adolescência, pelo o menos as partes ruins e traumáticas. Sofri abuso sexual por parte do meu irmão mais velho, o mesmo me obrigava a manter relações sexuais com seus amigos.
Me transformei em uma menina promíscua que achava que todo e qualquer homem era para abusar de mim.

Coisa horríveis fui obrigada a fazer sem falar na violência física uma vez que esse irmão era usuário de drogas.
Depois na fase adulta sofria de crises de pânico que duravam a noite toda.

Cortes eram comuns assim como também a vontade de suicidar-me.
Sempre me via como que em um filme e achava isso muito estranho.
Tinha comportamentos completamente opostos, às vezes uma pessoa comportada e discreta, outras vezes desequilibrada, com sensualidade e provocativa na questão sexual.

Sem limites no que dizia respeito a sexo. Sodomia era freqüente.
Mas desde que fiquei doente emocionalmente, comecei a perceber que algo estava errado comigo.
Os remédios não me ajudaram porque eu queria chegar à raiz do problema, uma vez que não me lembrava de nada.
Fiz terapia, e graças a um profissional dedicado e amigo, consegui descobrir o que tanto me torturava.
Vou confessar que quis desistir muitas vezes, achei muitas vezes que a culpa era minha e que ninguém nunca tinha feito nada para me ajudar.

Digo a todas ou todos que passaram elo o mesmo que eu, que vale a pena lutar.
Nós não tivemos culpa pelo que aconteceu, que seja abuso sexual ou violência física ou psicológica.
Se eu tivesse desistido não teria descoberto o que tenho.

Sei que demora, perdi 20 anos da minha vida, e sei que ainda não estou totalmente recuperada do que aconteceu e nem da minha doença.
Mas o que vale a pena é lutar e não deixar que a perversidade que nos foi imposta perdure por toda a nossa vida.

Hoje sou uma mãe orgulhosa e uma mulher que não perdeu a beleza física e graças a deus nem a espiritual.
Enquanto eu estiver viva vou lutar para reverter o que me fizeram e conseguir conviver com o meu problema.
Não é fácil, mas sentir a melhora gradualmente e sentir depois de tanto tempo quem eu realmente sou, vale todo o sacrifício.

Nunca desistam, amem-se mesmo que quem deveria não amou.
Agora é a nossa vez de provar do que realmente somos capazes.

2) Aos 17 para os 18 anos comecei a me cortar direto.

Depoimento 1:

Olá, tenho 21 anos, tive uma infância conturbada, meu avô era alcoólatra e sofri abuso sexual na infância. Essa é a primeira vez que falo a respeito.
Meu tio abusava constantemente de mim, e eu nunca falei nada a ninguém, pois sempre me senti muito constrangida.
Certa vez fui abusada também por um tio, quando fui brincar com meus primos.
Não sei dizer quando começou, eu morava com minha avó e meu tio em uma cidadezinha do interior enquanto minha mãe trabalhava em São Paulo.

Também fui abusada por um primo.
Perto de completar 7 anos minha mãe me levou pra morar com ela.
Cresci muito tímida sempre desejando que a terra abrisse e me engolisse.
Pensava constantemente em me atirar da sacada, ficava me imaginando caindo. Felizmente aos treze anos minha irmã nasceu e mudamos pra uma casa nossa e fiquei em um ambiente diferente.

Os pensamentos suicidas aos poucos foram desaparecendo e me tornei uma pessoa mais alegre.
Parecia que as pessoas desta nova cidade gostavam de mim.
Acredito que possuo algo que me faz ver o que é melhor pra mim e mudar.
Mas apesar disso tenho problemas de relacionamento não consigo falar normalmente com rapazes, aliás, nunca namorei, morro de medo de intimidade e na minha adolescência estava desenvolvendo TOC.

Fugia das pessoas, me isolava, hoje estou um pouco melhor, nunca fiz terapia.
O problema é que conheci um rapaz e acho que posso ter alguma coisa com ele, mas tenho medo de tentar.
Me sinto suja, evito pensar no assunto, aliás, eu era tão pequena que mal me recordo, mas dói profundamente saber que alguém que devia me cuidar fez isso comigo, choro sempre que lembro.

Como se não bastasse tudo isso, não me sinto feliz em nenhum emprego, me acho uma inútil, quando começo em um trabalho fico animada, mas logo passa e começo a me estressar, não consigo evitar.
Acho que não terei sucesso em nada.

Sem contar que sou um pouco paranóica me sinto constantemente vigiada e sempre acho que estão falando mal de mim, rindo de mim pelas minhas costas ou que se algum rapaz demonstra interesse em mim tem de ter algum motivo obscuro.
Queria saber se é possível eu viver uma vida normal sem fazer tratamento, pois não gosto de remédios, nunca fiz tratamento e acho difícil confiar nas pessoas por isso não quero ir a nenhum especialista.


Depoimento 2:

Bom, tenho Transtorno de Personalidade Borderline. Comecei a me cortar com 11 anos de idade, mas eram cortes leves. Aos 13 anos comecei a beber e aos 14 fumar maconha. Com 16 anos minha doença se manifestou de vez mais o diagnóstico que me davam era de uma pessoa Bipolar, freqüentei vários psicólogos mais não levava a sério.
Costumava fumar maconha antes de ir para as consultas.

Aos 17 para os 18 anos comecei a me cortar direto; com 18 anos tomei uns 30 comprimidos de Anfetamina e misturei com muito álcool, quebrei meu apartamento todinho.
Isso gerou minha primeira internação, fiquei internada durante dois meses, saí de alta, passaram dois meses voltei a beber.

Sempre fui uma pessoa muito agressiva, nervosa, me irrito por pouca coisa, nunca consegui ser fiel em nenhum dos meus relacionamentos.
Sempre dei valor muito às minhas amizades, mais do que a minha própria família.
Perdi minha mãe aos 7 anos de idade e nunca me conformei com isso, sou muito ciumenta morro de ciúmes do meu pai e de todos os meus amigos.
Com 18 anos descobri numa mesa de bar que era filha adotiva através de uma ex-namorada minha essa é mais uma revolta que eu tenho.

Na minha quarta internação sai de lá muito bem consegui ficar 8 meses sem usar nada e sem me cortar, mas acabei conhecendo uma amiga que fumava maconha diariamente e voltei a fumar maconha e aos poucos fui voltando a beber e gerou em mim uma compulsividade muito grande sexual pela internet aí pedi para me internar fiquei 70 dias e pedi pra ir embora dizendo que ia fazer o tratamento com psicólogos e psiquiatra até comecei a fazer o tratamento, mas larguei.

Por causa medicação estava engordando, muito engordei 25 kilos estava pensando mais na minha vaidade do que na minha própria vida.

Voltei a beber fumar maconha e cheirar cocaína de vez em quando.
Já tentei o suicídio muitas vezes às vezes sinto até vontade de matar alguém.
Estou totalmente sem controle e muito viciada principalmente no álcool e em sexo com mulheres e homens, mas tudo que gostaria mesmo na minha vida era de amar alguém e ser amada, formar uma família, estou com 20 anos perto de fazer 21 e continuou nesse inferno de vida tenho os braços todos marcados.

O pior é que quando me corto tenho prazer em ver o sangue não consigo entender isso, quero ajuda mais já não sei mais o que fazer será que existe solução para o meu caso?

Ou a única solução é a morte?

Eu mesmo não estou me agüentando mais, meu pai adoeceu teve um surto psicótico por causa de stress no trabalho e principalmente pela barra que passa comigo está afastado do trabalho dele há oito meses eu sempre tudo do bom e do melhor tenho uma vida muito boa, mais nunca consegui ser feliz já entrei em quatro faculdades e não consegui cursar nenhuma.

Tenho insônia e quando durmo só penso ou em coisas eróticas ou tenho pesadelos com morte quero mudar minha história de vida antes que eu morra porque o estágio da minha doença está muito grave.

Sou capaz de cometer uma loucura a qualquer momento peço ajuda, por favor, me ajudem de coração mesmo essa é uma parte da história da minha vida, pois se eu fosse contar a minha história toda daria um livro, por favor, entre em contato comigo.

3) Oscilo entre amor e ódio muito rápido, às vezes uma coisinha simples.

Depoimento 1:

Constantemente tenho vontade de me machucar, aí me corto, parece que preciso sentir dor, tenho que ver o sangue jorrar para me aliviar.
Tenho 25 anos, e desde os 13 (após a morte de meu pai num acidente), comecei a ter problemas psiquiátricos.

Tive Anorexia Nervosa por 8 anos, passei por várias internações, quase morri, mas consegui sair dessa.
Agora estou Bulímica, também já tive TOC, tenho Depressão, tomo antidepressivos faz 12 anos, mas nenhum medicamento me faz efeito realmente.

Mas além desses diagnósticos, eu tenho uma sensação constante de veio, oscilo entre amor e ódio muito rápido, às vezes uma coisinha simples, como um atraso de 5 minutos de minha mãe, me deixa fora de controle, sinto como se estivesse abandonada, largada, e aí a raiva toma conta e chego a ter crises de quebrar a casa toda.

Tenho pensamentos que me perturbam tipo pegar uma pessoa e bater até espancar, e isso me dá prazer.
Fico com medo do que posso fazer, pois já agredi minha mãe algumas vezes e uma vez até parti com uma faca para cima dela, mas meu irmão me segurou.
Evito me relacionar com as pessoas porque tenho medo da minha reação, visto que de repente meu humor se altera e sou capaz de agredir o outro.

Às vezes também extravaso minha ira pegando o carro e correndo muito e descontroladamente, uma vez quase me atirei num poste.
Parece que preciso viver perigosamente, tenho que ter sempre adrenalina na veia.

Já tentei suicídio 4 vezes e sofri abuso sexual quando era muito pequena, por parte do meu pai.
Também vim de uma gravidez não desejada.
Não sei se isso explicaria algo, mas eu vivo meio perdida, eu não sei ao certo nem do que gosto.
Tenho uma certa habilidade para encantar as pessoas, até os médicos criam um vínculo forte comigo.

Não sei porque, mas em todas as terapias que faço, acabo dando um nó na cabeça do psiquiatra, mas faço isso automaticamente, e com as pessoas também, parece que estou sempre testando todos, para ver até onde me aguentam e gostam mesmo de mim.

Minha endócrino que me acompanha há 12 anos, falou sobre personalidade Borderline, gostaria de saber a sua opinião, pois não aguento mais fazer tratamentos e nunca me sentir realmente melhor, parece que nada me preenche, preciso sempre extravasar essa raiva que me persegue, por isso, ou como e vomito, ou me corto, ou quebro tudo.

São formas que desenvolvi para poder aliviar um pouco a loucura que sinto na minha cabeça.


Depoimento 2:

Mas acho que por tudo que apresentou sobre o assunto, ele encaixa em todos os aspectos, me ajudou muito, pois assim sei como proceder ao falar, ou alguma coisa que vou dirigir as palavras, e não sabia.
Até outro conhecido ter me alertado, ei você conhece fulano, acho que ele tem a doença de Borderline. Ou seja, falou não é que ele tem doença talvez personalidade o qual se encaixa grata imensamente pelo site.

Que me ajudou muito, e desconhecia tudo isso. Um enorme abraço.

4) Busquei drogas, álcool, cigarro, diversos parceiros, tudo pra me preencher.

Depoimento 1:

Estou passando por uma situação com a qual não sei lidar. Tenho lembranças de ter sido molestada sexualmente quando criança pelo avô de minha melhor amiga.
Tive uma série de problemas, meu pai é alcoólico, mas sempre trabalhou e cuidou bem da família, fazia mais mal a si do que aos outros. Sempre tive um comportamento sexual exacerbado, me masturbo quase diariamente desde os 9, 10 anos.
Conheci meu ex-marido com 14 anos, com ele perdi a virgindade e tive um filho, sete anos depois.

Me separei dele e me envolvi com um demônio.
Sofri todos os tipos de abuso possíveis, físicos e psicológicos.
Meu filho de 3 anos viveu 11 anos de inferno junto a mim, nessa época.
Com ajuda da polícia, consegui me livrar, mas com sérias conseqüências.
Vivia mergulhada em culpa e revolta. Perdi a guarda do meu filho para o pai.

Depois disso, me envolvi com tantos homens que perdi a conta, tornei-me viciada em sexo.
Há alguns anos, comecei a freqüentar reuniões de autoajuda e mudei completamente meu comportamento.
Fiz terapia, hoje tenho um bom emprego e há um ano meu filho voltou a viver comigo e há sete meses parei de beber.

Quando parecia que tudo estava indo bem, descubro, por um telefonema de meu filho que passava as ferias com o pai, que ele foi abusado sexualmente (estupro) pelo irmão de criação.
Sinto que, não importa o que eu faça, o passado sempre vai me perseguir, que nunca estarei livre dele.
Não sei como agir com meu filho, que está voltando dessas férias e chega amanhã.
Procurei centros de apoio à violência doméstica e sexual, para tentar encontrar um Terapeuta especializado em casos semelhantes, pois, apesar de meu filho e eu termos acompanhamento psicológico desde o inicio do ano passado, ele não conseguiu se abrir sobre essa violência que sofreu.

Não consigo evitar pensar que se eu tivesse ficado sabendo, essa nova violência não teria acontecido, pois teria tentado trabalhar esse trauma com ele e terapia.
Não sei como agir e preciso de ajuda. Sou muito comunicativa, mas não posso desabafar sobre isso com ninguém, pois tenho medo de que ele seja rejeitado pelo ato terrível que cometeu.

Agradeço a chance de pelo menos ter podido desabafar. Espero conseguir superar mais esse trauma.


Depoimento 2:

Olá, fui diagnosticada Borderline ontem, e gostaria de saber se é possível com a medicação que me foi passada Oxcarbamazepina e com a terapia viver em paz com a minha família (marido e filho de 7 anos). Amo eles e sinto que estou estragando tudo.
Sou filha adotiva de uma semana de vida, sempre tive uma família espetacular, mas às vezes sou assombrada com a sensação que existiu algum abuso por parte de meu pai quando eu era muito pequena.

Tinha relações sexuais com minhas amigas de infância, me lembro perfeitamente, dos 4 aos 8 anos aproximadamente, e às vezes tenho a impressão que meu pai sabia e assistia, mas é tudo muito confuso.
Tive muito êxito profissional, precoce até... Sou muito boa profissional e extremamente criativa...

Mas estou sofrendo por causa desses desequilíbrio que ultimamente tem acontecido, brigas horrorosas sem grandes motivos com o meu marido, e agressões físicas dirigidas a mim mesma e a ele também, me envergonho depois.
Sempre tive liberdade pra ser e ter tudo o que quis.

Recheada de mimos, até os 20 anos, morei com meus pais num modelo harmônico, posteriormente fui convidada para trabalhar fora do país e então tudo começou.
Sozinha, não dei conta de viver, busquei drogas, álcool, cigarro, diversos parceiros, tudo pra me preencher.
Estou com medo, porque encontro nessas características de Borderline, muitas explicações...

Hoje, vejo a fratura que eu mesma provoquei no meu dedo maior do pé, há uma semana atrás, e vejo que existe uma doença grave sim.

Mas eu quero enfrentá-la e saber se existem Borderlines que com tratamento podem viver bem.
Estou vendo o problema de frente agora. Sei que ele existe. Tinha explicação. Só preciso de esperança agora, e saber de profissionais sérios, se tenho grandes chances de viver em paz com a minha família que me ama, do meu marido que sabe e está do meu lado em paz...

Resposta:

Oxcarbamazepina (Trileptal, Leptard, Oxcarb), é um dos bons atores coadjuvantes no tratamento do Transtorno de Personalidade Borderline. O ator principal do tratamento é a Psicoterapia. Remédios são importantes para manter os excessos de reações das Borderlines sob controle, mas o principal é a Psicoterapia.

© 2020 por mentalhelp