Medicamentos Psiquiátricos

Efeitos Colaterais de Medicamentos Psiquiátricos e Neurológicos

Abstinência, Amenorréia, Dependência, Ganho ou perda de peso, Impregnação, Perda de efeito, Efeito na Sexualidade, Tolerância, Uso contínuo, Queda de cabelo, Anticoncepcionais e Medicamentos Psiquiátricos, Piora inicial, Galactorréia, Obstipação Intestinal, Solavancos Musculares, Sonhos vívidos, Sonolência e horário de tomar o remédio, Sudorese

1) Abstinência

De Antidepressivos:

Alguns Antidepressivos principalmente Efexor (Venlafaxina, Venlift OD, Venlaxin), Aropax (Paroxetina, Paxil CR, Cebrilin, Pondera), Cipramil (Citalopram, Denyl), Lexapro (Escitalopram), Cymbalta (Duloxetina), Anafranil (Clomipramina), Luvox (Fluvoxamina) etc., não devem ser suspensos de uma vez porque algumas pessoas podem sentir alguns dos seguintes sintomas de descontinuação ou sintomas de abstinência (o que não quer dizer dependência):

  • Leves dores pelo corpo
  • Tontura
  • Sensação de estar meio aéreas, mareadas, enjoadas
  • Sensação de formigamentos pelo corpo
  • Sensação de "choquinhos" pelo corpo
  • Sensação do cérebro balançar na cabeça
  • Sonhos vívidos ou pesadelos

Esses sintomas, se ocorrerem, costumam passar sem tratamento entre o 3* e o 10* dia. Não costumam atrapalhar as atividades diárias da pessoa, mas algumas pessoas tem uma abstinência bem forte.

O que se recomenda é diminuir a dose do antidepressivo aos poucos. Caso vc sinta abstinência pergunte ao teu médico se você pode tomar Dramin B6.

De Tranqüilizantes ou Calmantes ou Benzodiazepínicos:

Esses medicamentos não devem ser suspensos de uma vez. A suspensão abrupta, dependendo da dose pode provocar:

  • Ansiedade
  • Tremores
  • Confusão mental
  • Ataques epilépticos (muito raro)

2) Amenorréia (atraso ou falta de menstruação)

Alguns medicamentos podem alterar o ciclo menstrual. Quase sempre, quando aumentam a Prolactina. Os medicamentos que podem aumentar a Prolactina são:

  • Neurolépticos, quase todos em dose alta, mas principalmente Risperidona (mesmo em dose baixa), Haldol, Melleril.
  • Tranqüilizantes Benzodiazepínicos, geralmente só em doses muito altas depois de muito tempo.
  • Equilid mesmo em doses baixas.
  • Antidepressivos, mas é extremamente raro.

3) Dependência

Antidepressivos e Neurolépticos nunca criam dependência.

Tranqüilizantes podem criar dependência, depois de uso muito prolongado.

Se criar dependência, precisa fazer um programa de diminuição gradual da dose. Por maior que seja a dependência química, querendo parar, em poucas semanas isso é possível. Fale com seu psiquiatra que ele faz uma programação de retirada gradual sem dificuldade.

O uso contínuo de Tranqüilizantes Benzodiazepínicos pode provocar uma diminuição passageira da memória.

4) Tolerância

Significa precisar de doses cada vez mais altas para se ter o mesmo efeito terapêutico, pode ocorrer com os Tranqüilizantes e Hipnóticos a longo prazo.

Os Antidepressivos podem provocar tolerância, mas é raro. Isso ocorre mais em pessoas que melhoram, param de tomar o remédio antes da hora, têm recaída, tomam de novo, param de novo e assim por diante.

Antidepressivos são como os antibióticos: precisa tomar dose certa pelo tempo certo.

Os antidepressivos Inibidores de Recaptação de Serotonina (IRS), como Fluoxetina, Sertralina, Citalopram, Escitalopram, Paroxetina costumam desenvolver mais tolerância do que os Tricíclicos (Imipramina, Clomipramina, Amitriptilina), os Tetracíclicos (Maprotilina), os IMAOs (Tranilcipromina) e os Duais (Duloxetina, Venlafaxina, Desvenlafaxina). 

5) Perda de efeito

Antidepressivos podem perder o efeito, mas não é comum.

Ansiolíticos ou Tranqüilizantes, especialmente os Banzodiazepínicos costumam perder o efeito com o tempo.

Mas especialmente com referência aos Antidepressivos: no caso de depressão, o médico deve pensar em Estabilizadores de Humor.

6) Uso contínuo

O uso contínuo por muitos meses ou anos de Tranqüilizantes Benzodiazepínicos pode provocar diminuição passageira da memória, dependência física e psíquica, cansaço e piora da qualidade do sono.

7) Ganho ou perda de peso

Alguns medicamentos podem aumentar o apetite para doces e carboidratos. Exemplo Remeron (Mirtazapina, Menelat), Tryptanol (Amytril, Amitriptilina), Tolvon (Mianserina), Zyprexa (Ziprazidona), Orap, Tegretol (Carbamazepina), Trileptal (Oxcarbamazepina, Oleptal), Depakote (Ácido Valpróico, Depakene), Tofranil (Imipramina), Anafranil (Clomipramina).

Alguns outros podem provocar aumento de peso depois de muitos meses de uso, por exemplo Paroxetina (Cebrilin, Aropax, Paxil CR, Aotin, Benepax), Ácido Valpróico (Depakene, Depakote), etc.

Com Efexor (Venlafaxina, Venlaxin, Venlift) e Cymbalta o ganho de peso não é freqüente.

Lexapro, Exodus, Escitalopram, Cipramil, Citta, Maxapan, Citalopram, Zoloft, Tolrest, Sertralina não costumam provocar aumento de peso.

Os Ansiolíticos e Hipnóticos Benzodiazepínicos (Rivotril, Clonazepam, Valium, Diazepam, Lexotan, Somalium, Bromazepam, Lorax, Lorazepam, Olcadil, Noctal, Frontal, Apraz, Alprazolam, Dalmadorm, Dormonid, Rohypnol, Midazolam, Flurazepam, Flunitrazepam, etc.) não provocam ganho de peso.

Alguns medicamentos, se usados corretamente, podem fazer o paciente emagrecer, por exemplo Fluoxetina (Prozac, Verotina, Eufor, Daforin), Topiramato (Topamax, Amato), Bupropiona (Wellbutrin SR 150, Zetron, Zyban, Bup).

Quando o paciente é disciplinado, come menos carboidratos e mantém um programa constante de atividades física, não precisa ganhar peso.

Para quem precisa esses remédios muito tempo, a ajuda de uma Nutricionista ou Médica Nutróloga pode ser fundamental.

Também precisamos considerar: os pais do paciente são magros ? Existe tendência familiar de ganho de peso? Existem problemas hormonais paralelos à medicação ? Ganhar 2 ou 3 Kg depois de alguns meses de um medicamento é uma coisa, ganhar 10, 20, 30 Kg é outra.

Como o apetite do paciente reage a situações de ansiedade ou depressão ? Comendo mais ou menos ?

Lítio: pode provocar ganho de peso por retenção de líqüidos, não por aumento de gordura. Tomar mais água e fazer exercícios em geral resolve.

8) Diminuição de Libido, Sensibilidade Sexual, Retardo de Ejaculação ou de Orgasmo

P: Os medicamentos sempre diminuem a libido ou retardam o orgasmo e ejaculação ?

R: Não mesmo. Algumas pessoas podem ter esses efeitos colaterais com alguns medicamentos, principalmente:

Antidepressivos Serotoninérgicos, especialmente Paroxetina (Aropax, Cebrilin, Paxil CR, Pondera, Benepax); Fluoxetina (Prozac, Verotina, Fluxene, Eufor, Daforin); Citalopram (Cipramil, Procimax, Maxapran, Citta); Sertralina (Zoloft, Tolrest) e Fluvoxamina (Luvox); Clomipramina (Anafranil. Clo).

Antidepressivos de ação dupla na Serotonina e Noradrenalina (Venlafaxina - Efexor, Venlaxin; Duloxetina - Cymbalta).

Escitalopram (Lexapro, Exodus, Reconter) atrapalham menos.

Alguns Neurolépticos de uso muito prolongado e dose alta, caso eles aumentem a Prolactina.

Alguns Estabilizadores de Humor, por exemplo Tegretol (Carbamazepina) e Trileptal (Oxcarbamazepina, Oleptal), Depakote (Ácido Valpróico, Depakote ER, Depakene, Torval).

Alguns remédios até aumentam a libido, como por exemplo Bupropiona (Wellbutrin, Zyban, Zetron, Bup), Buspirona (Ansitec, Buspar), Trazodona (Donaren, Donaren Retard), Metilfenidato (Ritalina, Ritalina LA, Concerta), Lisdexanfetamina (Venvanse) e Antiparkinsonianos (medicamentos para tratar Doença de Parkinson), Gingko Biloba, Tribulus terrestre, Yoimbina.

Esse efeito colateral (retardo de ejaculação ou de orgasmo ou mesmo anorgasmia) é tratado trocando a medicação ou associando outros medicamentos que evitem esse efeito colateral sexual.

Mas não podemos nos esquecer que podem existir fatores psicológicos afetando a sexualidade.

Lembre-se: mesmo os que diminuem a libido ou retardam a ejaculação ou o orgasmo, quase nunca prejudicam a ereção.

Depois da suspensão do medicamento esse efeito colateral sexual sempre desaparece, geralmente logo nos primeiros dias, eventualmente em 2 semanas.

9) Impregnação ou efeitos extrapiramidais

Podem ocorrer (nem sempre) com Neurolépticos ( Haldol, Haloperidol, Risperdal, Risperidona, Respidon, Zargus, Geodon, Ziprazidona, Stelazine, Trifluoperazina, Melleril, Tioridazina, Orap, Pimozide, Semap, Penfluridol, Zyprexa, Olanzapina, Abilify, Aripiprazol, Neuleptil, Periciazina, etc.:

  • Tremor de repouso.
  • Muita salivação.
  • Pele gordurosa.
  • Rigidez muscular.
  • Torção muscular.
  • Vontade de andar.
  • Pernas Intranqüilas.
  • Rosto meio parado, repuxado, como uma estátua.
  • Em casos muito fortes de impregnação, a pessoa parece um robô.
  • O paciente pode andar com passos curtos e braços flexionados.

Esses colaterais passam em minutos com Akineton e quase nunca se precisa trocar o Neuroléptico por causa deles.

10) Queda de cabelo

Alguns pacientes que tomam Ácido Valpróico (Depakene, Depakote, Depakote ER) referem queda de cabelo. Às vezes isso melhora com Zinco.

11) Piora inicial de ansiedade ou Pânico com antidepressivos

Pacientes que sofrem de Transtornos de Ansiedade (inclusive Síndrome do Pânico, Ataques de Pânico, Transtorno de Ansiedade Generalizada) podem ter piora dos sintomas de ansiedade no início do tratamento com antidepressivos Serotoninérgicos.

Os pacientes depressivos não costumam ter piora inicial.

Essa piora inicial é como se fosse um Ataque de Pânico dos fortes !

Essa piora inicial pode ser completamente evitada, para isso, pacientes com Transtornos de Ansiedade ou Pânico costumam tomar um Ansiolítico nos primeiros dias de tratamento com Antidepressivo.

Mas se já começou, fique tranqüilo que passa dentro de alguns dias.

12) Solavancos ou espasmos musculares

Alguns remédios podem provocar solavancos musculares, principalmente Clomipramina (Anafranil, Clo) e Paroxetina (Aropax, Paxil CR, Cebrilin, Benepax, Roxetin, Pondera), mas podem acontecer também com outros antidepressivos (principalmente) Serotoninérgicos. É mais freqüentemente à noite. É um efeito colateral que não faz mal, mas incomoda, então os pacientes preferem trocar de medicamento quando ele acontece. Podem passar com o tempo e/ou com a diminuição da dose do antidepressivo.

13) Sonhos vívidos demais

Alguns antidepressivos, principalmente os Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina (Fluoxetina, Fluvoxamina, Paroxetina, Citalopram, Escitalopram, Sertralina), podem dar a sensação que a pessoa está sonhando muito mais que o normal. Geralmente basta mudar o horário de tomar o remédio (se está tomando de manhã tomar à noite ou vice versa).

14) Galactorréia (produção anormal de leite)

É raro, mas alguns medicamentos podem produzir Galactorréia, ou seja, produção anormal de leite, inclusive (mais raramente) em homens. Mais comuns: Sulpiride (Sulpan, Equilid) e Risperidona (Risperdal, Risperdal Consta, Respidon), Tioridazina (Melleril). Geralmente em doses altas e por muito tempo. Mas Benzodiazepínicos e outros neurolépticos também podem, embora com freqüência muitíssimo menor (mesmo ! Não crie preocupações desnecessárias em sua cabeça). Esse é um dos motivos que em tratamentos de longo prazo se pede dosagem de Prolactina.

15) Medicamentos Psiquiátricos e Anticoncepcional

As fontes mais indicadas para consultar com essa questão são seu Ginecologista, seu Psiquiatra ou Neurologista e o Serviço de Atendimento ao Consumidor do Laboratório fabricante de seu remédio.

De acordo com o Epocrates de 2011 (um programa americano bastante atualizado que informa sobre medicamentos, interações medicamentosas, efeitos colaterais e interações), e sem nenhuma garantia, não existe perda de efeito de Anticoncepcionais Hormonais (Pílula, DIU Hormonal e Implante Hormonal) e:

  • Neurolépticos ou Antipsicóticos.
  • Tranqüilizantes ou Calmantes ou Benzodiazepínicos.
  • Antidepressivos
  • Lítio.
  • Estabilizador de Humor Antiepiléptico Lamotrigina (Lamictal, Lamitor), Ácido Valpróico (Depakene, Depakote, Depakote ER, Torval), Gabapentina (Neurontin).

Mas recomenda-se o uso de outro método Anticoncepcional no caso de:

  • Carbamazepina (Tegretol)
  • Ox-Carbamazepina (Trileptal)
  • Topiramato (Topamax, Toptil, Amato)
  • Fenobarbital (Gardenal)

Nesse caso, converse com seu Ginecologista

16) Sudorese

Vários Antidepressivos podem aumentar a sudorese, pode ser de dia ou (mais freqüente) à noite. Os Antidepressivos que mais aumentam a sudorese são os Tricíclicos (Tofranil e Anafranil) e os de Ação Dupla (Efexor, Venlift, Venlafaxina, Pristiq, Cymbalta). É mais comum a sudorese aumentar quando eles estão funcionando do que quando não estão funcionando. Se a sudorese incomodar o remédio pode ser trocado mas é comum se receitar Betabloqueadores para acabar com essa sudorese aumentada

17) Sonolência e horário de tomar o remédio

Os tratamentos psiquiátricos costumam ser longos. Portanto, os medicamentos não podem provocar sonolência. A não ser é claro, que se tome um medicamento específico para dar sono, nos casos de insônia. Mas não queremos que Antidepressivos nem Neurolépticos provoquem sonolência durante o dia nem diminuição de reflexos.

Quase todos os Antidepressivos e Neurolépticos podem ser tomados a qualquer hora, a não ser que seu Psiquiatra especifique um horário. Geralmente eles funcionam por mais de 24 horas, portanto não importa a que horas você toma teu remédio.

Alguns Antidepressivos ativadores precisam ser tomados de manhã. Outros, que mesmo em doses pequenas podem dar sono, precisam ser tomados à noite. Outros não dão nem tiram o sono, mas se recomenda tomar à noite quando eles provocam boca seca, assim incomoda menos.

Muitas vezes se um Antidepressivo tomado de dia provoca sono, basta tomar à noite. Se tomado à noite provoca sono de dia, basta tomar de manhã. Se nem assim resolver, melhor trocar de remédio.

18) Obstipação intestinal (prisão de ventre)

Pode acontecer principalmente com os Antidepressivos Tricíclicos: Tofranil (Imipramina), Anafranil (Clomipramina, Clo), Ludiomil (Maprotilina), Tryptanol (Amitriptilina, Amytril), menos freqüente com Efexor XR (Venlafaxina, Venlift ODS, Venlaxin), Cymbalta (Duloxetina) e com os Neurolépticos.

Recomendação: mais caminhadas, mais água, alimentos com fibras, frutas com bagaço e se necessário fale com seu médico se pode associar um laxante natural (ou trocar de remédio, lógico).

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