Psicoterapia em São Paulo

Pergunta:

Aos 8 anos de idade, ainda uma criança eu fui abusada sexualmente. Meus pais sempre me trataram com muito amor e carinho. Tanto é, que por segurança me colocaram em um colégio particular para inibir qualquer problema que poderia ocorrer.

Eles não tinham condições de sobra para tanto, mas batalharam muito para poder dar-me um estudo digno.

Sempre frequentávamos (eu, meu irmão e primos) a casa de meus tios.

 

Eram duas pessoas, não tinham filhos e viviam sozinhos. Morávamos perto, então visitávamos com frequência a casa deles. Meu tio sempre brincava conosco de esconde-esconde, pega-pega, e em muitas brincadeiras ele se deitava, nós subíamos em cima dele (inclusive tenho até uma foto assim).

Para mim, era tudo normal. Em 1985, com 8 anos de idade, em uma dessas brincadeiras, no andar de cima da casa dele, meu tio fui corria atrás de todos nós. Enquanto meu irmãos e primos escondiam-se no quarto de casal deles, ele correu na minha direção no quarto oposto e eu caí na cama e assim ele foi pra cima de mim e alÌ iniciou o começo de tudo. Foi rápido. Lembro-me como se fosse hoje.

Lembro que doía muito, mas achava que era normal, sei lá… Sinceramente, nem sei o que passava na cabeça. Foram mais alguns dias nessa tormenta. Comecei a sentir medo de ir lá e quando ia tentava ficar perto dos meus primos e irmão para não acontecer de novo.

Lembro-me quando meu pai levava eu e meu irmão para andar de bicicleta eu sentia muita dor. Mas mantive o silêncio. Mesmo sem conhecimento e ainda criança, acreditava a cada dia que aquela atitude dele não seria correta. Mas tinha medo de contar aos meus pais com medo deles brigarem, criarem alguma confusão em família. O melhor seria manter comigo este segredo. Fiz uma experiÍncia, caso minha mãe mantivesse o silêncio eu contaria tudo pra ela. Então, contei que meu primo (mesma idade) passou a mão nas minhas nádegas.... …éramos crianças e ao meu ver não havia malícia nesta brincadeira. 

Mas de supetão, acredito que também para ela foi um choque, ela comentou com toda família o que criou um clima extremamente desagradável. Minha mãe não tinha muita paciência e temendo-a, escondi minha dor. Decidi então não contar jamais a ninguém. Guardei pra mim por quinze anos só comigo. Depois, em um momento difícil da minha vida me abri com um amigo, quase irmão. Depois de mais alguns anos, falei para uma grande amiga e atualmente contei ao meu irmão. Hoje tenho trinta anos. Confesso que de início, só doeu no corpo. As dores da alma e da mente originaram-se com o passar do tempo. Guardei este segredo por 15 anos. Entrei em crise e acredito que devo ter tido uma depressão. As pessoas não souberam o que aconteceu comigo. Até porque era uma coisa do passado. A situação ficou insustentável. Minha vida tornou-se um inferno. Eu tento mostrar que sou feliz, ou melhor, me ligo às pessoas que são importantes pra mim como meus pais, minha família, meu noivo. Mas muitas vezes vem a tona e eu acabo me destruindo com o meu passado. Meu noivo não sabe disso e temo em contar-lhe, não sabendo qual seria a sua reação.

Analisando hoje, de forma adulta, percebo todos os erros que foram cometidos em relação a minha segurança, na época do ocorrido. E depois, os novos erros, na época em que surtei com este segredo. Fui uma adolescente amarga. Tenho sonhos que foram destruídos por um canalha que me fez sofrer estes anos todos. Sonhos que foram parcialmente destruídos por eu sustentar esse segredo. Me culpo por ter deixado minha tia morrer sem sequer saber dos atos do homem com quem ela casou-se. Sonhos que aborto, cada vez que entro em parafusos. Quero esclarecer que não sou louca.

Só fico muito desiludida com minha solidão e as vezes faço coisas que as pessoas acham errada. às vezes eu não acho. As vezes fico muito triste e choro sozinha. Tem dias que preferia estar morta. Digo uma coisa: o estupro mata. Eu sou uma morta viva. Sinto-me morta sempre que olho para o espelho. Evito este inimigo, que mostra dentro de minha alma. Dele não consigo esquecer minha tristeza. Hoje tomei coragem e vou iniciar uma terapia psiquiátrica. Vou acreditar que dará certo. Gostaria de saber se eu devo ou não contar ao meu noivo. Tenho medo, muito medo de tudo.

Resposta:

No decorrer dessa terapia (que você fez muito bem em começar), você vai concluir se deve contar para seu noivo ou não.