Perguntas e Respostas: 

Borderline e sequelas de Abuso Sexual

1) Em Borderline fitoterápicos como Passiflora e Valeriana ajudam?

Pergunta 1:
Personalidade Borderline. Em terapia 3x/sem. Maioria dos sintomas controlados e amadurecimento do comportamento. Já usei Depakote.
Livre de medicações por alta médica.

Abuso anterior de álcool, Frontal, Ultracet, Dramin e Maconha (não uso mais).

O único sintoma que não consegui aliviar foi ansiedade, mesmo em terapia.

Devido aos abusos do passado, fitoterápicos como Passiflora e Valeriana podem ajudar ou são ineficazes na ansiedade?

Resposta:
Provavelmente não vai fazer mal tentar, mas em Borderline geralmente a medicação precisa ser mais poderosa que os fitoterápicos.



Pergunta 2:
Meu nome é Priscilla, na minha infância meu avô materno me olhava quando era pequena, tinha uns 7 anos de idade e algumas vezes ele ia dormir comigo e foi onde ele começou a passar a mão nas minhas partes íntimas e também colocava a minha mão para eu passar na dele.
Quando eu tinha uns 8 anos ele morreu de acidente, mas eu não contei para ninguém, pois tinha vergonha, e fui crescendo com ódio do meu avô, depois aos 13 anos tive coragem de contar para minha mãe.

Eu lembro que meu olhar desde quando eu nasci era triste, pois meus parentes comentavam.

Minha mãe fazia tudo por mim, eu era muito dependente dela, ela sempre me achou muito frágil, e eu achava que não conseguia fazer nada sozinha, tipo comprar uma roupa, ir numa loja, ir ao banco, fazer minha matrícula, e foi sendo assim até meus 19 anos, daí minha mãe começou a cobrar de mim independência, dizia não vou mais te carregar no colo, você já tem idade suficiente.

E tive que aprender tudo depois dos 19 anos, mas foi muito bom para mim, me libertar, demorou, mas consegui.

Eu também me achava a menos inteligente das minhas três irmãs, e a que menos as pessoas gostavam, pois eu era muito tímida e insegura, tive problema com sexualidade aos 19 anos quando deixei de ser virgem, tinha vergonha de mim mesma quando acaba a relação sexual, pois me sentia impura, suja, depois fui perdendo isso com o tempo, mas demorou.

Tentei me matar quando tinham uns 14 anos, mas era mesmo para chamar atenção, tomei vários anadores, mas não deu em nada, só senti muito sono e fui dormir.

Tive várias crises de Depressão, os sintomas, era desânimo, vontade de chorar, e de não fazer nada, ficava muito deitada, mas sempre consegui sai, tomei fluoxetina, eu fica feliz, mas sentia como algo falso, pois depois que acabava o remédio, voltava a tristeza e a insegurança novamente, daí nunca mais tomei, fui saindo dela sozinha e já faz muitos anos que não tenho mais Depressão comprimidos de Anador deste tipo.

Observação: o meu pai e seus irmãos a maioria sofrem de Depressão, hoje tenho 32 anos, sou casada, tenho filha pequena, me sinto cansada, ficando velha e burra, estou no trabalho e não consigo me concentrar, e preciso de concentração, e se continuar assim vou perder meu emprego e em vez de me concentrar e trabalhar o fico pensando na ex do meu marido que é mais jovem e mais bonita e mais inteligente que eu, ou fico procurando pensamentos para me deixar triste e desanimada de tudo.

Resposta :
A sugestão que posso dar é você fazer uma Psicoterapia, no começo com alguma medicação antidepressiva. Pois você mesma observou que só tomar o remédio um tempo alivia os sintomas, mas não resolve esse trauma que pode estar por trás desse quadro.



Pergunta 3:
Olá. Quando tinha uns 5 anos de idade sofri violência sexual por uma mulher. Hoje em dia tenho muita dificuldade de relacionamento, sou agressiva e principalmente sou muito medrosa.
Tento viver uma vida normal e procuro quase nunca pensar no que aconteceu, já procurei tratamento, porém não me sentia vontade para conversar sobre esse assunto com a minha Psicóloga.

Tenho crises de choro quando estou sozinha, me sinto péssima, usada, invadida.

Só que a última crise que tive foi durante uma aula na faculdade que falava sobre o abuso infantil.

Me retirei da sala de aula e fui chorar desesperadamente no banheiro.

O meu problema é que só tenho flashes do ocorrido não consigo pensar até onde foi a violência, quero saber se é possível esquecer ou ter bloqueado essas lembranças, pois eu gostaria de saber nitidamente como foi e o que realmente aconteceu não consigo ver as lembranças com clareza!

Resposta:
Você faz muito bem em querer se tratar. A princípio, eu sugiro uma Psicoterapia.

2) Empregada abusava de mim com o namorado, eu tinha 3 ou 4 anos.

Pergunta:
Bom dia, Dr Rubens. Preciso de uma opinião profissional, se o meu caso precisará ser encaminhado para um psicólogo ou para psiquiatra. Sou uma mulher de 41 anos, casada e 3 filhos, e sou aparentemente normal, saudável.

Fiz faculdade, trabalhei os 1os. Anos e depois do casamento virei dona-de-casa. Mas eu sofro com os seguintes problemas, que escondo de todo mundo:

1- eu converso o tempo todo sozinha, com personagens que crio na imaginação. Porém tenho plena consciência do que é real, então creio que não seja esquizofrenia...



Parece mais uma fuga da realidade. Sei que não devo conversar com eles quando tem gente por perto.

Eu paro de interagir com o mundo da fantasia se alguém chega. Mas basta estar sozinha e volto a conversar com eles, com muito entusiasmo e prazer, sobre tudo o que acontece, o dia inteiro.

Nesse mundo irreal vivencio tudo que gostaria e tenho medo na vida real: sou admirada, desinibida, bem sucedida, respeitada, produtiva. Acabo saindo pouco de casa, pois prefiro ficar lá com eles. Faço isso desde a infância, e depois que fiquei adulta, vi que era estranho e que me atrapalhava, e tentei parar, mas já era um vício horrível e que não consigo vencer de jeito algum. Tenho vergonha de ser assim.

2- Eu me machuco (coloco o dedo no nariz como uma criança) até sangrar, fico com medo de as feridas causarem alguma doença, mas também não consigo parar, é incontrolável. Também desde a infância.

3- Não consigo lidar com a vida prática e isso está afetando muito o casamento. Esqueço de contas a pagar, tenho medo de arranjar emprego, faço gastos que geram problemas para o marido, sofro com críticas dos outros por menores que sejam, perdi a autoridade com os filhos... E eu não reajo ou mudo. Sinto que só afundo, só choro. E o relacionamento sexual é muito difícil tb. As pessoas da família apenas me acham indecisa, insegura, e acham que sou uma acomodada por não trabalhar. Minha família está passando por dificuldades, são três filhos para sustentar, então o normal seria eu me jogar para trabalhar, lutar lado a lado com o meu marido...Mas eu não consigo, sinto-me acorrentada nesse mundo de fantasia. Por dentro guardo muita frustração pela vida que levo, pois eu gostaria de realizar vários sonhos profissionais, projetos de vida, que nunca tive coragem de começar. Tive uma infância feliz em alguns aspectos, nada me faltou, e no geral minha mãe foi carinhosa e atenta. Mas coisas ruins também aconteceram: minha mãe (2a esposa do meu pai) teve depressão pós-parto, não me amamentou. A babá que cuidava de mim todos os dias, dormia no meu quarto, não era muito normal e cometeu suicídio quando eu tinha 2 anos.

Tenho duras lembranças de uma empregada do meu avô que abusava de mim com o namorado quando eu tinha uns 3 ou 4 anos. Não chegavam a me penetrar, mas falavam e faziam coisas que quando lembro me dão nojo... E eu me pergunto, onde estavam meus pais nesse momento? E por que não notaram como mudei depois? Eu me lembro de ter começado a brincar de me esfregar nas bonecas, escondida, sentar em cima delas de pernas abertas, tudo isso após o abuso! Sentia algo ruim dentro de mim, como se eu fosse má e judiasse das bonecas, como se eu tivesse raiva delas. Após a morte de meu pai (eu com 7anos), os meus irmãos por parte de pai entraram numa briga judicial pela herança, o que me abalou demais pois eu gostava deles...

Eu e minha mãe ficamos isoladas de familiares durante todo o processo, morando no interior. O fato é que eu me sentia abandonada por todos, inclusive por minha mãe que tinha que resolver mil assuntos após a morte de meu pai. Passava muito tempo sozinha e foi ai que comecei a viver nesse mundo paralelo. E tudo isso me fazia sentir como uma criança desprezível, alguém que ninguém gostava, diferente das outras crianças...Na adolescência eu tinha vergonha de mim mesma quando estava com amigos, e muita culpa e sentimentos contraditórios quando o assunto era paquera ou namoro.

E agora entrei numa fase de simplesmente chorar muito, sentir um grande vazio todo fim de dia, pensando que com 40 anos já não adianta mais tentar mudar...Por ser religioso, ter fé, isso acaba ajudando um pouco a não cair de vez. Mas eu queria sair disso, trabalhar, lutar, me expressar, e não sei nem por onde começar. Contei recentemente com muita dificuldade para o meu marido que eu fui abusada (afinal ele sempre estranhou como eu era travada na nossa vida íntima, e me cobrava que eu fosse diferente) e ele ficou completamente magoado comigo, quase nos separamos. Ele achou que por eu não ter contado antes, mostra que não confio nele...QUE eu deixei ele sofrendo sem saber da verdade, que ele não teve um casamento real por esse tempo todo, etc.

Quando eu contei, no fundo eu queria um colo, queria o apoio que nunca tive! O que eu faço? O que eu tenho? Qual tratamento o senhor indicaria para o meu caso? Eu vejo ao redor todo mundo vivendo, viajando, fazendo e acontecendo, dos mais pobres aos mais ricos, em qualquer lugar do mundo, pessoas saudáveis ou doentes, de todas as raças, trabalhando, descobrindo coisas, cometendo erros, sendo felizes, falando o que pensam, e eu aqui parada, o que me deixa ainda mais angustiada. Dr., Eu preciso mudar.

Mas não consigo sozinha, já tentei ler livros inspiradores, escrever desabafos em cadernos, observar gente inteligente, fazer cursos de oratória, li todos os depoimentos do seu site (o que me ajudou muito a refletir e tomar coragem de escrever), mas eu não saio do lugar... E cada vez me sentindo mais pressionada pela idade, pela vida, e agora pelo marido tb. Não sei até onde meu marido aguentará a companhia de alguém assim como eu, pois ele é um homem muito ativo e empreendedor! E se ele me deixar, não sei o que será de mim nem dos meus filhos. Sua resposta, mesmo que breve, será muito útil para mim.

Resposta:
Obrigado pela confiança.

O tratamento principal seria uma psicoterapia, que geralmente é feito por psicólogas ou psicólogos, embora muitos psiquiatras também tenham formação em psicoterapia.

Mas existem dois problemas que podem precisar tratamento médico: esse se machucar, isso muitas vezes exige medicação em dose baixa e essa falta de libido.

Ela pode ser psicológica mas também pode ser hormonal.

E mesmo que não seja hormonal, existem medicamentos que aumentam a libido.

Concluindo: você deve melhorar fazendo uma psicoterapia mas também valia a pena consultar um psiquiatra por causa desses dois outros problemas.

3) Medicamentos usados no tratamento de Borderline

Pergunta 1:
Tenho Transtorno Borderline e comecei a tomar Anafranil (Clomipramina, Clo) e Melleril 25 mg. Em 15 dias ganhei três quilos.

Agora o Anafranil foi substituído por Fluoxetina, mas continuo engordando, estou desesperada.

Faço atividades físicas, controlo alimentação, mas está difícil demais, pois já sou obesa...

Resposta:

É mais provável que o Melleril seja o responsável pelo aumento de peso do que o Anafranil.

A Fluoxetina (Prozac, Verotina, Daforin), por outro lado, costuma ajudar na perda de peso.

Se mesmo com todos esses cuidados você continua obesa (nas suas palavras), confira como está sua tireoide e converse com sua Nutricionista sobre uma reeducação alimentar mais intensiva.


Pergunta 2:
Se usa Estabilizadores de Humor (Lítio, Tegretol, Carbamazepina, Trileptal, Oxcarbamazepina, Seroquel, Quetiapina, Neotiapim, Ketiapim, Quetros, Zyprexa, Olanzapina, Neupine, Zopina, Opinox) para tratamento de Transtorno Borderline?

Resposta:

Muitas vezes sim.

Embora o Borderline tenha uma etiologia psicológica e traumática muito maior do que química ou genética, os Estabilizadores de Humor podem ajudar a diminuir os extremos de impulsividade, irritabilidade, depressão e compulsões.

4) Porque sinto prazer em fazer um corte em minha pele?

Pergunta:
Fui abusada sexualmente pelo meu avô paterno, quando era criança. Não foi nada sério, mas ocorreu mais de uma vez.

E eu entendia o que estava ocorrendo. Quando cresci mais um pouco, eu deixei de frequentar as a casa dele e nessa época já devia ter uns 13 anos de idade.

Comecei a ler sobre abuso sexual para entender sobre o ocorrido e li muitas vezes que uma pessoa que foi abusada uma vez, pode fazer isso quando adulto.

Hoje tenho 29 anos e nunca o fiz. Fiz terapia quando era criança, mas só quando passei para a minha segunda psicóloga é que eu contei e demorou anos. Foi depois que esse meu avô morreu. Minha mãe soube, porque um irmão meu comentou que esse avô tentou algo com ele e minha mãe pensou que poderia ter acontecido comigo também. Estava corretíssima. Ela ficou sabendo, ficou triste e falamos sobre o assunto.

Hoje acho que não carrego mágoa mais. Só acho estranho que eu era muito jovem e lia sobre o assunto, lia tanto que comecei a achar que era um pouco louca, porque lia sobre loucuras também. Esse assunto me fascinava. Gostaria de saber se tem algo a ver com o ocorrido na infância.

Não tem história de abuso físico, psicológico ou sexual em minha vida.

E, no entanto, não consigo entender porque sinto prazer em fazer um corte em minha pele. Sou professora, pratico capoeira, não fumo (só quando estou muito nervosa), sou mãe, mas sou separada (os cortes começaram bem antes do casamento), meu pai é alcoolista, mas nada que desestruture a família, já passamos por situações piores.

Não suporto ficar sozinha... Enfim, espero que isso ajude em dizer o que tenho e por que os cortes.

Resposta:
Procure um psicanalista que entenda de Borderline.

Quero dizer uma psicoterapia profunda voltada aos fatos de sua vida quando jovem.

5) Foi muito bom desabafar aqui, escrever coisas que nunca falei a ninguém.

Pergunta:
Oi, sofri abuso sexual quando tinha uns 4 anos pelo meu padrasto. Minha irmã via e também acontecia com ela, eu não falava nada pra ninguém.
Queria muito contar, mas minha irmã tinha medo e eu ia pela opinião dela. Me lembro dele me pegar no colo muitas vezes e me molestar até doer. Ele dizia: se você contar para seus pais eu mato eles.

O pior de tudo é que meu pai estava no mesmo lugar e não via, porque ele tinha todos os truques para esconder, ninguém nunca descobriu. Até eu contar pra minha mãe aos 16 anos, na época em que a dor antiga me sufocava, apertava a alma.



Apenas minha mãe e algumas pessoas sabem. A esposa dele, minha tia, se separou dele logo após saber, ela não acreditava no começo, me chamou de louca, mais depois viu que era verdade porque minha irmã contou e outra menina também.

Meu pai faleceu quando eu tinha 8 anos e achei melhor não contar para meus tios e meu avô porque não sei o que fariam com ele, minha família é muito rigorosa e honesta...

Não lembro de todas as vezes que sofri abuso, sei que foram muitas, e apesar de criança demais sabia que aquilo não era certo e que sempre continuava. Quando mudei para São Paulo, tudo isso acabou, a parte física, mas a emocional ficou marcada em mim, como uma parte de mim que foi embora junto com meu pai, e outra parte que se foi com a minha dor, algo que se foi e nunca mais irá voltar, a pureza e a inocência que toda criança deve ter.

Hoje tenho 20 anos, assim como a minha irmã, eu consegui esquecer esse trauma, olhar pra frente, esquecer o passado negro e só lembrar da coisas boas, como quando meu pai me disse que eu era a filhinha do papai e que me amava muito...

Tenho uma boa cabeça, não me revoltei por isso nem ao menos quis estragar minha vida, pelo contrário, acabei adulta cedo demais, já namorei, não uso drogas, acredito em Deus, sou uma pessoa maravilhosa, minha autoestima está ótima, amo minha família, meus amigos verdadeiros e sei que meu futuro será maravilhoso, porque eu mereço!

Aprendi muitas coisas com a vida, isso sei que não me ensinou a nada, porém consegui ser forte, assim como acho que as pessoas que passaram pela mesma coisa que eu deveriam pelo menos tentar ser!

As únicas coisas que tudo isso deixou foi o medo que eu tenho em confiar nas pessoas...

Mas com o tempo espero poder mudar isso. Foi muito bom desabafar aqui, pude escrever coisas que nunca falei a ninguém, é só!

Paz e amor a todos.*


Resposta:
Obrigado pelo depoimento e parabéns por ter dado a volta por cima. Você é um exemplo de resiliência.

6) Como me proteger de uma filha de 30 anos, Borderline?

Pergunta 1:
Como me proteger de uma filha de 30 anos, Borderline, que não dá continuidade ao tratamento? Fisicamente, emocionalmente e financeiramente para mim, com 63 anos, com a saúde já debilitada, está impossível.
Ela vive maritalmente com um rapaz, mas não desgruda de mim. Preciso me afastar disso já que não tenho como agir e não terei muitas possibilidades de aguentar outro AVC.

Pergunta:
Tenho uma irmã com 29 anos que tem desvio de personalidade ela manipula a todos da família com seus ataques de raiva e com cortes que ela faz nos pulsos!
Quando ela corta os pulsos ela liga pra minha mãe avisando o que vai fazer.

Minha mãe parece mais um robô em suas mãos, que ela trata conforme sua variação de humor, meu pai não acredita que seja uma doença e diz que o gênio dela mesmo!

A partir do dia 2 de dezembro ela vai reiniciar o tratamento com o Psiquiatra e com o Psicólogo (já ficou internada duas vezes numa clínica psiquiátrica), mas eu e minha família não sabemos mais como lidar com ela já que ela e muito agressiva manipuladora e faz o mundo de toda a família girar em torno dela!

O que fazer para melhorar o relacionamento familiar?

Estou cansada e não aguento mais! Às vezes penso que é melhor ela morrer mesmo e os problemas acabarem!

NÃO estou agüentando mais! Me ajudem!

Resposta 2:
Sabemos que essa situação é muito difícil. Infelizmente não existe uma receita pronta para todos os casos. Sugerimos você procurar aconselhamento no ambulatório de psiquiatria onde ela se tratava. Eles conhecem o caso dela e de outras pessoas com problemas semelhantes e suas famílias. Certamente poderão lhe orientar.



Pergunta 3:
Eu tenho 28 anos não fui abusada sexualmente, porém tive uma infância terrível.
Minha mãe sempre trabalhou muito e todas as responsabilidades eram jogadas em minhas mãos.
Sentia-me uma empregada deles tinha que cuidar da casa toda, do meu irmão caçula e meus pais ainda me cobravam boas notas na escola.

Mas o que transformou minha vida num pesadelo foi meu irmão mais velho. Ele me batia e colocava meus pais contra min com acusações: ele me colocava milhares de apelidos ofensivos, deteriorava minha imagem na escola o que me fez virar motivos de chacotas da escola inteira.

Com quinze anos eu passei a engordar muito e a cheira cocaína. Nessa época a droga ficou dois meses na minha vida depois que meus pais descobriram e meu irmão morreu eu continuei engordando passei a me odiar e a comer e vomitar sem parar.

Durante todos esses anos fiquei em casa sem trabalhar.

No ano passado conheci uma turma de amigos e comecei a sair só que eu voltei a beber muito, cheirar cocaína e do nada passei a me machucar hoje minha vida está um inferno e tudo que eu penso é me machucar e cheirar cocaína tenho ódio de mim mesma, medo de tudo, do escuro, de comer, e até de me olhar no espelho - perdi 10 quilos em um mês porque não consigo mais comer.

Por favor, me ajudem estou morrendo de franqueza e tristeza - tenho quase todos os sintomas da personalidade Borderline o que devo fazer?



Pergunta 4:
Minha infância teve abuso real e já era antissocial. Na adolescência teve início meus sintomas Borderline, porém estranhamente comecei a mentia compulsivamente sobre minha vida para pior.
Agora na idade adulta vivo uma mentira até para meus Psiquiatras comentei a versão da minha vida criada por mim para que o diagnóstico fosse dado, porém a mentira é apenas sobre a minha vida dos 12 aos 17 anos.

Não tenho o sintoma da drogadição que falo tanto ao meu Psiquiatra todos os outros são reais.

Até para o meu ex-marido eu contei tal versão e em alguns momentos chego a acreditar nela.

Não tenho coragem de perguntar a ninguém se isso faz parte da doença, se possível me respondam.

É bem possível. A vida de uma Borderline pode ser bem tumultuada em todos os sentidos. Mas sugiro você recomeçar teu tratamento com um terapeuta e eventualmente também com um Psiquiatra.

Resposta:
Você passou por momentos bem traumáticos na infância e adolescência, abuso moral, bullying, e drogas.

Isto é um grande estresse emocional e provavelmente tem Personalidade Borderline.

A vida de uma Borderline pode ser bem tumultuada em todos os sentidos

Mas sugiro você recomeçar teu tratamento com um terapeuta e eventualmente também com um Psiquiatra. Psicólogo Juarez Lopes Neto

7) Transtorno de Personalidade Borderline tem cura?

Pergunta 1:
Gostaria de saber se Transtorno de Personalidade Borderline tem cura, estou em tratamento há um ano e já me sinto melhor. Sofri muitos abusos.
Resposta:
Você quer dizer as variações de humor, a angústia de separação, o que especificamente?

A tendência com a idade e o tratamento é essa tempestade ficar muito mais calma sim.

Com a ajuda de terapia, medicação, maturidade, relacionamentos saudáveis, profissão, vida social, cada vez você vai sentir que as oscilações de humor ficam menos extremos.

Não sei se consegui responder, é que sua pergunta foi bem vaga...



Pergunta 2:
Oi, tenho 35 anos de idade e preciso de ajuda; quando pequena aos meus 5, 6 anos de idade não me recordo ao certo eu sofri abuso sexual, e o agressor era meu pai, e foi assim até meus 12 anos, acredito que só parou porque ele faleceu.
Sofri muito e acredito ter traumas porque não consigo ter atitudes de uma pessoa normal tudo para mim esta bem, estou acabando com meu casamento, de uma forma que eu não sei explicar eu acabo transferindo meus traumas para meu marido, por isto eu preciso de ajuda.

Me ajuda, pois não tenho convênio e não sei a quem pedir ajuda nesta área, eu já fui a um Psicólogo mais achei que não tinha nada haver aquilo, pois preciso ter com quem conversar e ter respostas, e ajudem obrigado.



Pergunta 3:
Desde os 6 anos até 11 anos fui abusada pelo meu irmão quase que diariamente, sou filha adotiva, mas fui saber desta verdade aos 15 anos.
Foram muitos baques, preconceitos e brigas presenciei com este dilema familiar.

Hoje, sou uma pessoa muito triste, já pensei em suicídio, mas o que me controla é que sou noiva tenho confiança no meu parceiro, mas não consigo ter libido, toda vez que tentamos algo dói muito.

Mesmo com tudo isto dei a volta por cima e sozinha durante a minha juventude melhorei a minha auto-estima e obtive algumas conquistas pessoais.

Quero saber se existe algum remédio para este problema em geral?



Pergunta 4:
Olá, tenho 31 anos, sou casada e tenho 2 filhas, mas me sinto como se não tivesse nada na vida.
Minha infância foi difícil, pais brigando o tempo todo e minha mãe me espancava e às minhas irmãs com cabo de vassoura, cinta de couro, vaso, tudo o que viesse na mão, e por mais que fizéssemos nós nunca prestávamos pra nada.

Casei e pensei que tudo fosse um conto de fadas, mas não, e nunca será isso.

Meu marido é boa gente, mas não sabe me entender, pois eu me sinto sozinha.

Até hoje minha mãe me inferniza, e ele briga ainda mais comigo por isso, não sei o que fazer: me sinto perdida e já tentei suicídio, mas sei que isso não é certo.

Então vivo me cortando nos braços, mas nem assim alguém percebe nada em mim.

Me ajudem, por favor, eu imploro, o que posso fazer da minha vida, será que ainda tenho vida? As pessoas me olham e não notam nada em mim, me acham a pessoa mais agradável, engraçada, amiga, mas por dentro só Deus sabe o que faço para parecer essa pessoa que no sou. Me ajudem.

Resposta:
Sim, existe. Abuso sexual assim como outras formas de vieolência na infância podem provocar grandes problemas de personalidade, inclusive Borderline. Mesmo que a mulher não chegue a esse extremo, ela pode sofrer problemas de Depressão, Ansiedade, Instabilidade Emocional e (é muito comum) também ter problemas sexuais.

O mais indicado é você procurar um bom Psicoterapeuta.

Não deu certo com esse Psicoterapeuta, mas pode dar certo com outro.

Talvez no decorrer da terapia ocorram fases de precisar de algum remédio, aí ele vai pedir ajuda a um Psiquiatra clínico.

Você é nova, livre-se disso e viva feliz!

8) Achei o Borderline, que incluía ter sofrido abusos sexuais quando criança.

Pergunta 1:
Estava lendo outras doenças e achei o Borderline, que incluía ter sofrido abusos sexuais quando criança.

Eu sofri uma forte repressão de minha mãe, que tem Transtorno Bipolar - e posteriormente abuso sexual

Quer dizer, a fome com a vontade de comer...

Seria engraçado se não fosse trágico, mas ainda assim é engraçado que não exista cura, ou ao menos, que esta cura seja tão difícil, já que primeiro é preciso encontrar um médico que saiba diagnosticar corretamente. Uma loteria.

E tem o remédio certo, a dosagem, o efeito colateral, o preconceito, a ignorância (e estamos no Brasil!).

Mais uma vez, parabéns pelo trabalho e thanks.

Resposta:

Obrigado pelo depoimento e pelo elogio!

Pergunta 2:

Fui uma criança molestada sexualmente por várias vezes. Durante 36 anos nunca contei para ninguém e sempre tive os piores relacionamentos possíveis.

Ao falar para meu marido ele ameaçou contar para a família que hoje é estruturada. Recentemente descobri que o meu marido é dependente químico.

Não sei o que fazer, pois dependo financeiramente dele e não quero pena das pessoas sinto uma vontade incontrolável de me matar.

Meus molestadores foram os meus próprios irmãos.

Meu marido não quer me ajudar, eu não consigo fazer nada. Não saio sozinha.

Obs.: estou fazendo tratamento, mas não resolve principalmente porque engordo e fica pior eu me sinto a pessoa mais horrível do mundo.

Pergunta 3:

Olá, tenho 16 anos e aos meus 11 fui abusada sexualmente por um amigo da família, na época morava com a minha mãe, nós não nos dávamos bem por conta de umas histórias do meu padrasto.

Bem fui alimentando essa dor sozinha, até que dias atrás me vi em tal situação que resolvi contar a meu pai e minha madrasta, depois em seguida a minha mãe, fiquei surpresa, eles não me disseram nada, apenas se calaram com a situação, o que me deixou ainda mais angustiada, pensei o porquê resolvi contar se tudo foi em vão, tentei suicídio após isso, mais algo foi maior e não consegui, estou a cada dia pior.

A fase de me cortar, que eu tive aos meus 12 anos, voltou, me sinto sozinha e algo me impulsiona a me cortar, me machucar, sei que não estou bem, mas em casos assim quem eu devo recorrer, se meus pais viraram as costas nessa minha situação?

Espero poder dividir isso com alguém, mesmo que eu não o veja. Obrigada.

Resposta:

Não ficou claro se você também faz Psicoterapia. A Psicoterapia é fundamental, pois sequela de abuso sexual não se trata só com remédios.



Pergunta 4:
Meu pai sempre foi um homem agressivo, morei com ele até os dez anos, quando minha mãe se separou dele. Mas me lembro das coisas terríveis que ele fazia comigo e com meus irmãos, ele amarrava eles nas árvores por um dia inteiro, no sol, com formigas.

Eu era pequena, impotente, ele batia neles com fio elétrico, sangrava muito, eu nada podia fazer nada para ajudá-los. O pior, foi que ele tentou assassinar minha mãe, estrangulada. Ele fez muitas coisas mais, mas estranhamente, dos três irmãos eu fui a única que não superei, por quê?

Resposta:

Você não descreveu que tipo de problemas você continua sentindo, mas de qualquer forma, não existe uma resposta que sirva para todas as pessoas.

Mais importante do que descobrir porque você não se livrou do problema, é procurar um Psicoterapeuta para se livrar.


Pergunta 5:

Olá, Dr. Juarez Lopes Neto! Encontrei teu e-mail no site Mentalhelp. Apesar de ser diagnosticada como Bipolar por um Psiquiatra referência mundial em Transtorno Bipolar e durante algum tempo ter os sintomas bem condizentes com esta doença, li no site a respeito do Borderline.

Percebo que, hoje em dia, pareço muito mais com uma Borderline. Gostaria de saber se, basicamente, são a mesma patologia em graus diferentes de intensidade.

Uso Estabilizadores de Humor (Seroquel, Lamitor e Topamax), mas continuo com instabilidade (muito semelhantes à Borderline) e gostaria de saber qual linha de terapia é mais indicada nesse caso.

No site fala sobre analítica, mas li também em outros artigos que a mais indicada hoje em dia é a TCC.

Qual sua opinião? Desde já obrigada por tua atenção!

Resposta:

Eliza: sua constatação é extremamente pertinente. Veja que o Psicoterapeuta precisa ter a percepção e destreza como também.

Eficiência para distinguir e diagnosticar estes dois transtornos tão doloridos e desorganizadores da psique, díspares nas causas, porém com conseqüências emocionais muito parecidas e sérias que afetam muito a auto-estima, a segurança afetiva e o equilíbrio emocional.

Causam distúrbios bioquímicos e/ou são advindos de uma herança genética.

Estes sintomas são o bastante para retardar ou dificultar em muito a auto realização da pessoa.

Procura-se com a Psicoterapia e a psiquiatria um equilíbrio bioquímico. A consciência desses distúrbios para assim serem curados, gerenciados, compreendidos e possibilitar um convívio seguro afetivamente e adequação dos potenciais pessoais, vejo a Psicoterapia profunda (psicologia analítica) como necessária e produtiva, pois pesquisa a gênese dos sintomas, que podem ser inúmeros (cada história pessoal contém suas características próprias).

Psicologia analítica, como ela sugere, vai em busca das vivências pessoais que são responsáveis pelas carências, feridas emocionais, sensações negativas e as avalia e assim as insere e as compreende como realidades emocionais pessoais facilitando gerenciá-las e/ou “desconstruí-las” podendo sanar traumas emocionais: obtendo-se, então, uma qualidade de vida muito melhor.

A Psicoterapia também acompanha o tratamento medicamentoso que é importantíssimo e imprescindível; ajuda o Psiquiatra na avaliação e acompanhamento de dosagens e nos resultados da medicação, porque o Psicoterapeuta interage semanalmente com o paciente.

Minha opinião é que nos dois distúrbios a Psicoterapia analítica é muito importante para esta análise e avaliação e naturalmente ela vai abordar o comportamento do paciente fazendo com que ele se confronte com seus limites e aprenda a lidar positivamente com eles. Psicólogo Juarez Lopes Neto.

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